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Probabilidade & risco

Qual a chance real de ganhar na Mega-Sena? Menor que ser atingido por um raio este ano

1 em 50.063.860 — a chance de acertar a sena com uma aposta simples. Para dar escala a esse número: neste ano, no Brasil, é quase 26 vezes mais provável ser atingido por um raio do que acertar a sena numa aposta simples.

Publicado em 04 de agosto de 2026 · atualizado em 05 de agosto de 2026

A conta

≈ 26 vezes

mais provável ser atingido por um raio no Brasil este ano do que acertar a sena da Mega-Sena com uma única aposta simples no próximo concurso.

Raio: ~110 mortes/ano (INPE) em 213,4 milhões de habitantes (IBGE) = 1 em ~1.940.000 por ano. Sena: 1 em 50.063.860 por aposta simples (Caixa). 50.063.860 ÷ 1.940.000 ≈ 25,8.

1 em 50.063.860. É a chance de acertar a sena da Mega-Sena com uma única aposta simples de 6 dezenas — a própria Caixa publica esse número, e ele vem direto da combinatória: são 50.063.860 combinações possíveis de 6 números entre 60.

Um número desse tamanho é difícil de sentir na pele. Uma forma de dar escala: comparar com outra coisa rara, mas medida de verdade.

De onde vem esse número

Não é estimativa nem simulação: é uma conta de contagem, e ela cabe em duas linhas.

Você escolhe 6 números entre 60. Para o primeiro, há 60 opções; para o segundo, 59; e assim por diante até o sexto:

60 × 59 × 58 × 57 × 56 × 55 = 36.045.979.200

Só que essa conta considera a ordem — ela conta "1-2-3-4-5-6" e "6-5-4-3-2-1" como jogos diferentes, e no volante eles são o mesmo jogo. Cada conjunto de 6 números foi contado tantas vezes quantas maneiras existem de embaralhá-los: 6 × 5 × 4 × 3 × 2 × 1 = 720. Então basta dividir:

36.045.979.200 ÷ 720 = 50.063.860

É isso que os livros escrevem como C(60,6), "combinação de 60, 6 a 6". Cada uma dessas 50.063.860 combinações tem exatamente a mesma chance de sair.

Mais provável que um raio

O INPE registra uma média de 110 mortes por raio por ano no Brasil (levantamento com dados do Ministério da Saúde e IBGE, 2000-2019). Com uma população de 213,4 milhões de habitantes (IBGE, 2025), isso dá uma chance anual de aproximadamente 1 em 1.940.000 de ser atingido fatalmente por um raio no Brasil, neste ano.

Comparando as duas chances no mesmo horizonte de tempo — este ano, um evento: 50.063.860 ÷ 1.940.000 ≈ 25,8. É quase 26 vezes mais provável ser atingido por um raio este ano do que acertar a sena com uma aposta simples no próximo concurso.

A quina não é "quase a sena"

Quem acerta cinco dezenas sai com a sensação de ter chegado perto. A conta diz outra coisa. Estas são as três faixas premiadas de uma aposta simples, segundo a própria Caixa:

FaixaChance
Sena (6 acertos)1 em 50.063.860
Quina (5 acertos)1 em 154.518
Quadra (4 acertos)1 em 2.332

Dividindo as duas primeiras: a sena é 324 vezes mais rara que a quina. Não é "faltou um número" — é um evento de outra ordem de grandeza. Fazer a quina e pensar "quase ganhei a sena" é como correr 100 metros e achar que quase completou uma maratona porque faltou pouco para os 200.

Essa sensação tem nome na literatura de comportamento: near-miss, o quase-acerto. Ela é o motor que faz voltar na semana seguinte — e é por isso que vale ter o número na cabeça. Cinco acertos não deixam você perto de seis; deixam você a 324 quinas de distância, em média, de uma sena.

Se quiser ver isso acontecer com os seus números em vez de ler sobre, o simulador sorteia concursos de verdade e mostra em qual deles a sua aposta sairia:

→ Simular com os seus números

Por que "números espalhados" não ajudam a ganhar

Uma crença comum é que evitar sequências óbvias (1-2-3-4-5-6, datas de aniversário, um desenho no volante) aumenta a chance de ganhar. Não aumenta — cada uma das 50.063.860 combinações tem exatamente a mesma probabilidade, sempre. O sorteio não sabe, nem se importa, se os números formam um padrão para o olho humano.

O que muda, se você ganhar, é quanto vai dividir: combinações "óbvias" são marcadas por muito mais gente ao mesmo tempo, então, se saírem, o prêmio é rateado entre mais apostadores. Isso não muda a chance de acertar — muda só o valor do prêmio condicionado a acertar.

Marcar mais dezenas resolve?

Marcar 7, 10 ou 15 números no mesmo volante aumenta a chance de verdade — e o preço acompanha, na mesma proporção exata. A tabela oficial da Caixa deixa isso explícito:

DezenasPreço da apostaCombinações cobertasChance da senaPreço por combinação
6R$ 6,0011 em 50.063.860R$ 6,00
7R$ 42,0071 em 7.151.980R$ 6,00
8R$ 168,00281 em 1.787.995R$ 6,00
10R$ 1.260,002101 em 238.399R$ 6,00
12R$ 5.544,009241 em 54.182R$ 6,00
15R$ 30.030,005.0051 em 10.003R$ 6,00
20R$ 232.560,0038.7601 em 1.292R$ 6,00

A última coluna é a que interessa: o preço por combinação é sempre R$ 6,00. Marcar mais dezenas não compra uma chance mais barata — compra mais bilhetes de uma vez, ao mesmo preço unitário de sempre. Uma aposta de 15 dezenas é, para todos os efeitos, 5.005 apostas simples pagas juntas.

O que engana é a velocidade do preço. Cada dezena a mais multiplica o número de combinações: de 15 para 16 dezenas, o custo salta de R$ 30.030 para R$ 48.048 — mais R$ 18 mil para sair de 1 em 10.003 para 1 em 6.252. Gastando o preço de um carro popular, a chance ainda é de uma em milhares.

O bolão muda alguma coisa?

Muda uma coisa e não muda outra. Dez pessoas juntando R$ 6 cada compram 10 apostas simples: a chance de o grupo acertar a sena sobe para 1 em 5.006.386 — dez vezes maior, e ainda assim mais rara que ser atingido por um raio. Só que o prêmio, se sair, é dividido por dez. O valor esperado de cada participante é exatamente o mesmo de quem jogou uma aposta sozinho: dez vezes mais chance de um décimo do prêmio.

No bolão oficial da Caixa há um detalhe a mais, e ele piora a conta: além do valor das apostas, é cobrada uma taxa de serviço de até 35% sobre o valor de cada cota (a cota mínima é de R$ 7,00, para 2 a 100 cotas por bolão). Ou seja — o bolão é conveniência, não vantagem matemática: por real apostado, ele rende menos que a aposta individual.

O que o bolão realmente entrega é outra coisa, e é legítima: cabe no bolso, transforma o jogo em programa coletivo e reduz a chance de alguém apostar sozinho mais do que devia.

Jogar toda semana muda alguma coisa?

Cada concurso é um sorteio independente do anterior — a Mega-Sena não tem memória, e a chance de UM concurso específico é sempre 1 em 50.063.860, não importa quantas vezes você já jogou antes. Jogar toda semana aumenta o número de tentativas, não a chance de cada tentativa isolada.

Para ilustrar a escala: para ter uma chance perto de 50% de acertar a sena alguma vez, seriam necessárias dezenas de milhões de apostas simples — jogando uma aposta em cada um dos 3 concursos semanais, isso equivale a centenas de milhares de anos.

Dá para olhar a mesma pergunta pelo lado do bolso, com um hábito bem modesto: uma aposta simples por mês, durante 30 anos.

30 anos, 1 aposta simples por mês
Apostas feitas360
Total gastoR$ 2.160,00
Chance de acertar a sena ao menos uma vez0,00072% (1 em 139.067)
O mesmo dinheiro rendendo 8,26% ao anoR$ 8.875,02

A última linha usa a poupança de 2025 (8,26% no ano, Banco Central) aplicada aos mesmos R$ 6 por mês, calculada pela calculadora de juros compostos do site: os R$ 2.160 depositados viram R$ 8.875,02, dos quais R$ 6.715,02 são só rendimento.

Não é um argumento moral — é a medida do que está sendo trocado. Trinta anos de um hábito barato compram uma chance de 1 em 139 mil e deixam de lado cerca de R$ 8,9 mil. Quem acha esse preço justo pelo direito de sonhar três vezes por semana está fazendo uma escolha informada, que é tudo o que este texto pretende oferecer.

O que fica

Três números resumem o artigo: a sena é 1 em 50.063.860; a quina, que parece perto, é 324 vezes mais provável que ela; e nenhuma escolha de dezenas, volante ou bolão muda a primeira dessas contas — só o preço que se paga por ela.

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