O que mudou nas suas contas em 2026 — e a faixa onde o aumento rende metade
Salário mínimo de R$ 1.621, INSS até R$ 988,09, e a mudança maior: quem ganha até R$ 5.000 não paga mais IRRF. Mas o redutor é retirado aos poucos até R$ 7.350, e nessa faixa cada R$ 500 de aumento entrega só R$ 239 no bolso.
Publicado em 02 de agosto de 2026
A conta
R$ 239
é o que sobra, no bolso, de um aumento de R$ 500 para quem ganha R$ 5.000 em 2026 — menos da metade.
Salário sem dependentes, considerando INSS e IRRF com o redutor da Lei nº 15.270/2025. Valores calculados pela calculadora de salário líquido do Contania.
Toda virada de ano refaz uma parte das contas do seu bolso, e 2026 mexeu mais do que o normal. Este é o mapa do que mudou, com os números que estão em vigor — e com uma consequência que quase ninguém percebeu até receber o primeiro aumento do ano.
O salário mínimo: R$ 1.621
O número que mais aparece em outras contas. Ele não define só o piso salarial: é a base do adicional de insalubridade (10%, 20% ou 40% do mínimo, não do seu salário), o primeiro degrau da tabela do INSS e o piso de vários benefícios.
Por isso o reajuste do mínimo mexe em valores que parecem não ter relação com ele — e é a razão de o adicional de insalubridade mudar todo janeiro sem que ninguém tenha sido promovido.
A tabela do INSS
O desconto do empregado é progressivo por faixa — cada trecho do salário paga a sua alíquota, e não o salário inteiro paga a maior:
| Faixa do salário | Alíquota |
|---|---|
| Até R$ 1.621,00 | 7,5% |
| De R$ 1.621,01 a R$ 2.902,84 | 9% |
| De R$ 2.902,85 a R$ 4.354,27 | 12% |
| De R$ 4.354,28 a R$ 8.475,55 | 14% |
O teto é R$ 8.475,55, e a contribuição máxima, R$ 988,09. Quem ganha acima do teto desconta esse valor fixo — nem um centavo a mais, o que faz a alíquota efetiva de INSS cair conforme o salário sobe.
A mudança grande: IRRF zerado até R$ 5.000
Esta é a alteração de maior impacto do ano, e vem da Lei nº 15.270/2025: quem recebe até R$ 5.000 por mês não paga Imposto de Renda retido na fonte.
Não é uma nova faixa de isenção na tabela — a tabela progressiva continua igual, começando a cobrar acima de R$ 2.428,80. O que existe é um redutor aplicado depois do cálculo normal, que zera o imposto até R$ 5.000 e vai diminuindo gradualmente até R$ 7.350. Acima disso, o redutor acaba e vale a tabela pura.
O efeito prático no contracheque de quem ganha R$ 5.000 é direto: IRRF de R$ 0,00.
A consequência que ninguém avisou
Agora a parte que só aparece quando você olha dois salários lado a lado. Como o redutor é retirado aos poucos, a faixa entre R$ 5.000 e R$ 7.350 funciona diferente do resto da tabela:
| Salário bruto | INSS | IRRF | Líquido |
|---|---|---|---|
| R$ 4.000 | R$ 368,60 | R$ 0,00 | R$ 3.631,40 |
| R$ 5.000 | R$ 501,51 | R$ 0,00 | R$ 4.498,49 |
| R$ 5.500 | R$ 571,51 | R$ 190,47 | R$ 4.738,02 |
| R$ 6.000 | R$ 641,51 | R$ 385,10 | R$ 4.973,38 |
| R$ 7.350 | R$ 830,51 | R$ 884,12 | R$ 5.635,36 |
| R$ 8.000 | R$ 921,51 | R$ 1.037,85 | R$ 6.040,63 |
Compare as duas primeiras linhas do meio. Subir de R$ 5.000 para R$ 5.500 — R$ 500 a mais no bruto — aumenta o líquido em apenas R$ 239,53. Menos da metade do aumento chega ao bolso.
O padrão se repete em toda a faixa: de R$ 5.500 para R$ 6.000, sobram R$ 235,36; de R$ 7.000 para R$ 7.350, sobram R$ 171,62. Cerca de 48% de retenção líquida, contra os 70% que sobram para quem já está acima de R$ 8.000.
Isso não é erro nem pegadinha: é o comportamento matemático esperado de qualquer benefício que se retira gradualmente. Enquanto o redutor encolhe, o INSS sobe — e as duas coisas acontecem no mesmo intervalo. Mas vale muito saber onde essa faixa está antes de negociar um aumento, porque um salto de R$ 5.000 para R$ 5.400 entrega bem menos do que a conta intuitiva sugere.
Passado o R$ 7.350, a mordida marginal volta ao normal.
Veja no seu caso
Faça com os seus números
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Resultado
- INSSdesconto da aposentadoria
- R$ 248,60
- IRRFimposto de renda na folha
- R$ 0,00
- Total de descontosINSS + IRRF + outros
- R$ 248,60
- FGTS do mêsdepositado pelo empregador, não sai do salário
- R$ 240,00
| Faixa salarial | Alíquota | Base nesta faixa | Contribuição |
|---|---|---|---|
| Até R$ 1.621,00 | 7,5% | R$ 1.621,00 | R$ 121,57 |
| R$ 1.621,01 a 2.902,84 | 9% | R$ 1.281,84 | R$ 115,37 |
| R$ 2.902,85 a 4.354,27 | 12% | R$ 97,16 | R$ 11,66 |
Vale testar o seu salário atual e o salário que você pretende pedir. A diferença entre os dois líquidos costuma ser mais reveladora que a diferença entre os brutos.
Ganho de capital: progressivo, não fixo
Fora da folha, uma tabela que gera muita confusão — e que não mudou em 2026, embora seja frequentemente pesquisada como se tivesse mudado. Pela Lei nº 13.259/2015, o imposto sobre ganho de capital da pessoa física é progressivo:
| Ganho | Alíquota |
|---|---|
| Até R$ 5 milhões | 15% |
| De R$ 5 a 10 milhões | 17,5% |
| De R$ 10 a 30 milhões | 20% |
| Acima de R$ 30 milhões | 22,5% |
O erro comum é achar que ultrapassar uma faixa joga o ganho inteiro na alíquota maior. Não joga: cada trecho paga a sua. Um ganho de R$ 8 milhões paga 15% sobre os primeiros 5 milhões e 17,5% sobre os 3 seguintes, o que dá alíquota efetiva de 15,94% — e não os 17,5% que muita gente calcula.
O que não muda de ano para ano
Vale a distinção, porque ela economiza tempo. Mudam com o calendário fiscal:
- Salário líquido, INSS, IRRF e tudo que dependa das tabelas
- Férias, 13º e rescisão, que consomem essas mesmas tabelas
- Insalubridade e todo valor atrelado ao salário mínimo
Não mudam:
- Juros compostos, conversão de taxa, amortização — matemática pura
- Medidas, conversões e cálculos de obra
- Regras estruturais como a hora noturna reduzida ou o Fator R, que só mudam com lei nova
Por isso, ao reencontrar uma planilha antiga, a pergunta útil não é "está certa?", e sim "ela depende de tabela?". Se depender, está velha até prova em contrário.
Quando esta página muda
Esta é uma página de atualização, e ela nasce com data de revisão marcada. Os valores acima valem para o exercício de 2026 e serão conferidos na virada — mantendo o mesmo endereço, para não fragmentar o histórico em versões por ano.
Todas as calculadoras citadas consomem exatamente as mesmas tabelas usadas aqui: se um número mudar, ele muda nos dois lugares ao mesmo tempo.
Perguntas frequentes
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