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Consórcio ou financiamento: o custo que “sem juros” esconde

Consórcio não cobra juros, mas cobra taxa de administração, fundo de reserva e correção do crédito — e tem um custo que financiamento não tem: o tempo até a contemplação. Com sorteio puro, a espera média é metade do prazo do grupo.

Publicado em 04 de agosto de 2026

A conta

90 meses (7,5 anos)

é o tempo médio de espera pela contemplação num consórcio de 180 meses, só por sorteio — metade do prazo do grupo. É o custo que “sem juros” não menciona.

Aproximação: com 1 cota contemplada por sorteio a cada mês, ao longo de 180 meses, a espera média até a sua vez é de 90 meses. Dar lance reduz esse tempo, mas custa dinheiro extra.

"Consórcio não tem juros" é a frase que vende o produto, e é verdade. O problema é que ela para aí, e o custo de verdade não está nos juros que não existem — está em três outros lugares: a taxa de administração, a correção do crédito e, o mais caro de todos, o tempo até você ter o bem na mão.

O que substitui o juro

Quem administra o consórcio precisa ser remunerado, e a lei garante esse direito. A Lei nº 11.795/2008, no art. 5º, § 3º, diz que "a administradora de consórcio tem direito à taxa de administração, a título de remuneração pela formação, organização e administração do grupo". Nas tabelas públicas de administradoras grandes, essa taxa para imóveis costuma ficar entre 15% e 20% do valor do crédito, cobrada ao longo de todo o consórcio — não é ao ano, é o total.

Some a isso o fundo de reserva, quando o grupo o estipula: normalmente abaixo de 5%, usado para cobrir consorciados que saem do grupo sem terminar de pagar. O art. 27, § 2º da mesma lei deixa claro que o fundo de reserva é facultativo "se estabelecido no grupo de consórcio" — e isso não é uniforme entre administradoras. A Rodobens, por exemplo, divulga que não cobra fundo de reserva nos seus planos; a Embracon cobra, com percentual abaixo de 5%.

A conta sem correção

Para um crédito de R$ 300.000 e um grupo de 180 meses (15 anos) — usando 18% de taxa de administração e 3% de fundo de reserva, dentro das faixas publicadas:

ItemValor
Taxa de administração (18%)R$ 54.000,00
Fundo de reserva (3%)R$ 9.000,00
Custo total (sem correção)R$ 63.000,00
Parcela nominal inicialR$ 2.016,67

Contra isso, um financiamento do mesmo valor, no mesmo prazo, à taxa média de financiamento imobiliário com recursos direcionados publicada pelo Banco Central — 10,82% ao ano (SGS 20773, junho de 2026):

Sistema1ª parcelaTotal pagoTotal em juros
SAC (parcela decrescente)R$ 4.246,12R$ 533.440,50R$ 233.440,50
Price (parcela fixa)R$ 3.282,39R$ 590.830,81R$ 290.830,81

Olhando só essa comparação, o consórcio parece uma barganha: R$ 63 mil contra R$ 233 mil ou mais. Mas essa conta ainda está incompleta em dois pontos.

O que essa conta ainda não mostra

Primeiro, a correção do crédito. O crédito do consorciado é reajustado — geralmente pelo INCC, para acompanhar o custo de construção do imóvel referenciado. O INCC-M acumulou 6,71% em 12 meses até junho de 2026 (FGV/IBRE). Isso não é um custo "a mais" no mesmo sentido da taxa de administração — é o preço do bem mudando com o tempo, algo que também acontece (por outros índices) com o saldo devedor de um financiamento. Não projetamos esse índice composto por 15 anos adiante: taxa observada não é previsão, e um índice de custo de construção pode acelerar ou desacelerar. O que fica registrado é que ele existe e, no ano corrente, roda acima da correção típica do saldo devedor de um financiamento SFH (historicamente baixa, indexada à TR).

Segundo, e mais caro: o tempo. No financiamento aprovado, o dinheiro cai e o imóvel é seu. No consórcio, você paga a parcela todo mês sem ter o bem até ser contemplado — por sorteio ou lance. Com sorteio puro e uma contemplação por mês num grupo de 180 cotas, a espera média é de 90 meses, 7,5 anos. Durante esse tempo, você paga sem morar, sem alugar para terceiros, sem usar o crédito para nada — só espera. Dar lance reduz a espera, mas o lance também é dinheiro, e entra na conta como custo de oportunidade do que esse valor renderia em outro lugar.

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Costuma ser no mínimo 20% do valor.

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meses

Resultado

Primeira parcela
R$ 2.580,46
Última parcela
R$ 671,98
Valor financiado
R$ 240.000,00
Total de juros
R$ 345.439,76
Custo total (entrada + parcelas)
R$ 645.439,76
Evolução nos primeiros 12 meses
MêsParcelaJurosAmortizaçãoSaldo devedor
1R$ 2.580,46R$ 1.913,79R$ 666,67R$ 239.333,33
2R$ 2.575,14R$ 1.908,48R$ 666,67R$ 238.666,67
3R$ 2.569,83R$ 1.903,16R$ 666,67R$ 238.000,00
4R$ 2.564,51R$ 1.897,85R$ 666,67R$ 237.333,33
5R$ 2.559,20R$ 1.892,53R$ 666,67R$ 236.666,67
6R$ 2.553,88R$ 1.887,21R$ 666,67R$ 236.000,00
7R$ 2.548,56R$ 1.881,90R$ 666,67R$ 235.333,33
8R$ 2.543,25R$ 1.876,58R$ 666,67R$ 234.666,67
9R$ 2.537,93R$ 1.871,26R$ 666,67R$ 234.000,00
10R$ 2.532,62R$ 1.865,95R$ 666,67R$ 233.333,33
11R$ 2.527,30R$ 1.860,63R$ 666,67R$ 232.666,67
12R$ 2.521,98R$ 1.855,32R$ 666,67R$ 232.000,00

A régua

Não existe resposta única, e por isso este post não termina com um veredito — termina com o que cada caminho realmente custa, para você decidir com o seu prazo em mente:

  • Consórcio custa menos em taxa (R$ 63 mil contra R$ 233 mil+ de juros no exemplo), mas custa tempo: em média, metade do prazo do grupo esperando a contemplação, sem o bem.
  • Financiamento custa mais em juros, mas entrega o bem no dia da aprovação — sem espera, sem sorteio, sem depender de lance de outros consorciados.

Se o prazo não é um problema — você não precisa do imóvel agora, só quer chegar lá pagando menos — o consórcio tem uma vantagem real em taxa. Se o prazo importa, o financiamento cobra por eliminar a espera, e o juro é justamente o preço disso.

Perguntas frequentes

Fontes

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